sexta-feira, 16 de julho de 2010

Volta às aulas

Ok, ok...esse post está adiantado.
Mas não dava para esperar e comentar dois belos filmes franceses que trazem o tema para as telas.
Na semana passada assisti "O pequeno Nicolau", filme bem simpático. Uma comédia infantil, mas que agrada muito os adultos, especialmente pelo clima retrô que assume.
Pois é, uma saudade, uma nostalgia da época em que as crianças se sentiam de alguma forma amedrontada pelos adultos, seja pela forma avantajada destes, pelas escolhas incompreendidas, seja pelo mundo absurdo que habitavam.



No entanto, ver "O pequeno Nicolau" é um refresco, uma sessão da tarde, especialmente depois de ter visto "Entre os muros da escola".
Filmaço que traz uma atualização do mundo e da vida escolar. As crianças não são menores do que os professores, pelo contrário. Não pensam diferente, num mundo completamente a parte, vivem e pensam o mesmo mundo, sofrem igual, mas ainda sofrem por posições diferentes.
É impressionante a crise diante das posições de autoridade derrubadas, a imposição da igualdade e do politicamente correto, ingessando toda e qualquer fala ou atitude daquele que foi colocado na posição de autoridade.

Nossa, escrevendo isso pensei: parte da destituição da autoridade vem do discurso do politicamente correto. Pensando bem, antes, aquele que podia aplicar limites, também tinha em seu poder a liberdade de dizer o que pensava, num mundo onde as diferenças existiam e eram, de certa forma, veladas. Mostrar as diferenças, falar delas, não fez com que elas acabem.

Talvez todos os anos de ditadura em diversos países serviu como fim e extremo desse silêncio de uns e voz absoluta de outros. Com a tomada do poder da voz, do discurso, todos falam, menos aqueles que falavam, pois se escorregam nas suas crenças, nos seus preconceitos e expressam um "incorreto", proibidos estarão e devem "pagar" por isso.

Mas afinal, quem continua sofrendo? Quem ganha e quem perde com essas novas determinações de posições, com a falta daquilo "real" com que lutar? Se rebelar com que e com quem? Não há mais porque da rebeldia, no entanto, o fascínio de ouvir a própria voz mantém alguns na constante estrada do discurso inflamado, e vazio: doente!

domingo, 11 de julho de 2010

Ninguém me ouve, ninguém me quer...

Por que será que as pessoas não se sentem ouvidas, quando na realidade elas não se sentem sentem vistas?

Hoje tudo vira depoimento, tudo é registrado em câmera. O que não se registra se perde na mesma rapidez com que se produziu.

Idéias se multiplicam, vidas desinteressantes viram dramas "importantes", durante 48 horas.

A ex-amante do jogador deixa o depoimento dos maltratos na internet. Tenta ser ouvida pelo seu drama, mas a trama é tão imoral que a poucos importa.

A esposa traída de Sorocaba vira matéria de revista depois de expor o caso do marido com a amiga, também na internet, e claro, com "direito" à violência contra a mulher, afinal, quem cede ao desejo é "sempre" a mulher. A ânsia de fazer justiça leva a "vítima" ao lugar de "culpada".

Quem deseja sente culpa, projeta no outro essa culpa julgando-o, mas ganha um bônus: foi visto.

As pessoas falam, mas falam para quem, por quê e acima de tudo, de quê?

De que sofrem esses narcísicos sem olhares? Qual a necessidade do drama encenado para olhares desconhecidos, mas ainda assim, olhares.

Sábado à noite, num ciclo de cinema e psicanálise na Cinemateca (divulgado aqui anteriormente), assisti ao maravilhoso "Sunset Boulevard" (Crepúsculo dos Deuses) e dentre outros pontos interpretativos temos a questão narcísica do olhar e não ver, de precisar ser visto seja lá por quem, desse olhar vazio, mas que sustenta a impressão de ter algum tipo de atenção... logo, existir.

O que é então a internet senão um arquivo gigante e infinito, onde tudo que existe está lá? Se, no mundo real não há espaço para eu existir, para o drama ser encenado, no mundo virtual há espaço de sobra, sem limites, sem análise, sem censura.

(Enquanto escrevo isso penso nesse blog e em tantos outros... sem imagem que confirme as palavras parece não existir o dito.)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Albinorap

Esse blog fala de cultura e tá aí mais um lançamento do Macaco Albino, personagem irreverente e ácido que saiu dos quadrinhos para soltar a voz nas batidas do rap.

O autor - Leandro Robles - apresenta o projeto:

Já está no ar o mais novo projeto deste nosso querido símio e sua patota: é o albinorap! Trata-se de Macaco Albino mandando ver em rimas rápidas e histéricas, levando sua acidez dos quadrinhos a um novo patamar. E traz consigo um time de peso: Rinco, o ornitorrinco, traz uma levada mais cadenciada, com sua voz grave e marcante. O cãozinho Jonas Serafim passeia entre o fofinho e o ousado, com uma forte influência jamaicana. Para completar o time, a gatinha MC Mone, que tempera tudo isso com muita graça e feminilidade, e promete ser o grande destaque deste novo projeto.

Para ouvir os 5 raps, e ver os 5 protoclipes (imagens de divulgação com as letras), acesse: myspace.com/albinorap

Playlist:
1- Dá Unfollow!
2- Não Compre, Adote.
3- Mal Educados.
4- Meu Rabo.
5- O Cão Arrependido.

Ouça, Adicione, comente!


Quem quiser ler as tiras do Macaco Albino, entra no site:
http://www.escoladeanimais.com/

sexta-feira, 2 de julho de 2010

O que eu faço... parte 3

Bom, pra encerrar a trilogia do que eu faço, escolhi três verbos fundamentais na minha vida.

Na semama que vem, volta a regularidade do blog, toda sexta tem post.

Também retomo as reflexões sobre nós no mundo.


AMAR, porque sem paixão não há ação, satisfação, reflexão.

FALAR, mesmo quando calo, falo em pensamento, em intenção, em desejo. Digo mais sim do que não.

DORMIR, porque revigora, tranquiliza e te leva para um outro mundo. Dormir é sonhar, e sonhar surpreende.

Fábrica de Sonhos...


A SBPSP (Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo) está organizando ciclos de cinema com debates na Cinemateca de São Paulo.















Veja a programação de julho

http://www.psicorreio.com.br/emailmarketing/2010/maio/cinemateca/psi-cinema.html

quarta-feira, 30 de junho de 2010

O que eu faço.. parte 2

Então, ontem respondi a uma pergunta simples e direta.

Mas percebi que aquilo não era tudo, mas o que fazia como ofício, então resolvi pensar em outra resposta, que também envolve rotina e atividade, mas com outro caráter.

Pilates. Sim, o mundo se rendeu ao pilates até a próxima moda, mas essa série de exercícios posturais, funcionais, respiratórios, encanta. Quem pratica pilates por um tempo sabe que além da atividade física a que se propõe, a constância e a permanência constrõem uma relação emocional com o exercício. Digo, minha vida é antes e depois do pilates. Duas vezes por semana, de manhã cedinho ou finalzinho de tarde. Inspira, expira, inspira, expira...

Francês, porque afinal, eu chamo Simone... Hahahahhaa
Ano passado decidi, vou estudar francês, naquele método formal, escola séria, do primeiro ao último módulo, tudo como manda o figurino. O que eu farei com isso depois, sei lá, mas só a diversão, o empenho e a satisfação de um novo conhecimento já valem. Fora aquela crise de professor bom e mau, de provas e notas, de desafios e principalmente, no caso de idiomas, da bendita pronúncia e fluência numa língua estrangeira. Curioso é o quanto o francês tem palavras próximas do português, mas também inglês, tudo se mistura, no princípio e no fim.

Um trio é sempre melhor, né?!? Então vamos ao último de hoje...

Não, não faço nenhum artesanato. Minhas mãos não são tão hábeis quanto a minha mente... uma pena, mas é uma questão que está sendo processada.

Sim, poderia discorrer por outras atividades físicas, mas seria muito chato...

Ah, lembrei!

Café eu amo, desde pequena, influência da minha mãe, afinal meu pai não tomava café, nadinha. Café de coador ou expresso e capuccino também entra aqui. De manhã, primeira coisa do dia, cheiro bom. Olho a janela e vejo o mundo enquanto a água ferve. Passeio pela casa enquanto o café passa pelo coador. Sento no sofá com a minha xicrinha, pensando, não pensando, inspirando o aroma, viajando....

Mais um dia começou...

O que eu faço.

Ontem, num encontro profissional interessante e inusitado, recebi o seguinte pedido:

"Me descreva resumidamente o que é isso que você faz."


E hoje, respondendo a esse pedido, vi que valia retomar minha regularidade no blog, meses depois desse sono metabolizante, e aí está: O que eu faço!

A Psicanálise tem um caráter clínico. As questões e aflições humanas estão aí, mais presentes do que nunca na sociedade contemporânea, onde Tempo e Dinheiro são símbolos de limitação. Através da análise, o sujeito angustiado e ansioso, sofredor de limites incoerentes, pode compreender melhor a si mesmo, perceber flexibilizações, conviver melhor com o mundo.

A Astrologia que faço é voltada para os aspectos psicológicos e comportamentais, inclusive porque meu olhar psicanalítico já se envereda por esse caminho. Vejo a Astrologia menos como misticismo e mais como uma linguagem simbólica do céu, associado ao homem. Somos humanos e convivemos com a Natureza, diferentemente dos animais, nossa capacidade intelectual nos permite explicar a natureza na qual estamos inseridos e principalmente atribuir associações daquilo que não vemos, mas sentimos, com elementos externos. Por isso criamos linguagens, para dar signos a aquilo que não ter forma. Os antigos viram no céu, no movimento planetário, nos ciclos, enfim, na cadência constante da natureza uma modificação nos humores e comportamentos humanos e de tanto que aquilo se repetia, no mesmo ritmo celeste, estabeleceram uma conexão. Os Sete Princípios Herméticos regem essa relação. Acho que o meu preferido é "O que está em cima é como o que está embaixo, e o que está embaixo é como o que está em cima".
Os outros podem ser visto nesse site:
http://www.misteriosantigos.com/hermetic.htm

E, a Semiótica-Psicanalítica é um campo de estudo, reflexão, observação do mundo, de certa forma como faziam os antigos, para entender, avaliar, perceber tanto nos atos humanos atuais, quando nas produções artísticas, o que se destaca como um sintoma de nossa época. Muito se repete da história da humanidade, mas com outras roupagens e é nessa repetição que conseguimos perceber que futuro nos espera, ou ainda, como reinventar esse futuro.